sexta-feira, 4 de maio de 2012
1 “VIRTUDES PARA O NOSSO TEMPO”
O termo "virtude" (do latim "virtus" que significa força viril) designa o poder de uma coisa para produzir determinados efeitos.
1.1 Indignação
A indignação deixa de ser uma indigna ação ou ação superficial para ser uma virtude ou indignação virtuosa. Jesus nos alertou que “quem se indignar contra o seu irmão, será réu do julgamento.” “Jesus, porém, no Sermão da Montanha, também falou: ‘Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados’” (HORTAL: 94).
Camus dizia que somos a única criatura que não aceita ser o que é: nossa indignação permitiu nossa transformação. Os Napoleões da nossa imaginação são pura ilusão, não são eternos. Eternos são os anônimos que semearam a indignação com seu testemunho de despojamento e amor aos oprimidos. “Gandhi se indignou com a situação de dominação da sua Índia. Resolveu ter uma postura radical [...] Mesmo sendo ele manso e pacífico de coração como era, um arauto da não violência ativa, foi assassinado” (ALENCAR: 100). Gandhi é exemplo de indignação que é um tipo de colesterol bom, que faz com que nos movamos com força para uma rebeldia profética, emblemática. A literatura poética é um sinal de indignação que é um passaporte contra o ócio, a mesmice e o conformismo da desigualdade social, por exemplo.
“Deus vê, ouve, conhece, lembra, se compadece, desce. Ele é atento à sua criatura, se insere na história [...] Deus se revela a Moisés: ‘Eu sou aquele que sou’ [Cf. Ex 3,14]” (PAULA et all: 82). Na Bíblia, o que move o povo de Deus, o que deve mover os discípulos de Cristo não é a luta pelos próprios interesses, mas a aposta na luta pelo direito à vida do outro, um modo de viver mais feliz, saudável, de salvação. “Veja-se o empenho dos grandes profetas e de pessoas simples como Maria, que canta a indignação de Deus ‘que derruba os poderosos’” (ARAGÃO: 108). Indignação é uma virtude que conduz à vitória, à superação, é uma luta que transforma sem produzir vencidos.
A partir das virtudes teologais e das virtudes cardeais, temos as virtudes para o nosso tempo como a indignação e a mansidão.
1.2 Mansidão
“E daqueles que praticam a virtude da delicadeza [ou mansidão, ou doçura, ou suavidade] é dito pelo Mestre no Sermão da Montanha que eles ‘possuirão a terra’ [cf. Mt 5,4]” (BINGEMER: 61).
É preciso ter a mansidão? Sim, ainda que a cólera revolva em desordem o meu coração [...] não deixarei de ser gentil e amável o mais possível; e todas as razões que a natureza me apresentar para descarregar-se, eu as estrangularei, não lhe ouvirei uma sequer” (VIDAL: 186).
“Assim São Francisco de Sales resumia as suas experiências: ‘Bem aventurados os que são doces: possuirão a terra, ou seja, serão os donos dos corações e todas as vontades estarão nas suas mãos’” (VIDAL: 190).
REFERÊNCIAS
ALENCAR, Chico. Indignação. In: YUNES, Eliana; BINGEMER, Maria Clara Lucchetti (Org.). Virtudes. Rio de Janeiro/São Paulo: PUC-Rio/Loyola, 2001, p. 96-101.
ARAGÃO, Gilbraz. Indignação. In: YUNES, Eliana; BINGEMER, Maria Clara Lucchetti (Org.). Virtudes. Rio de Janeiro/São Paulo: PUC-Rio/Loyola, 2001, p.106-109.
BÍBLIA de Jerusalém: nova edição, revista e ampliada. Tradução VV-AA. São Paulo: Paulus, 2008.
BINGEMER, Maria Clara Lucchetti. Delicadeza. YUNES,Eliana; BINGEMER, Maria Clara Lucchetti (Org.). Virtudes. Rio de Janeiro/São Paulo: PUC-Rio/Loyola, 2001, p. 56-68.
HORTAL, Pe. Jesus. Indignação. YUNES, Eliana; BINGEMER, Maria Clara Lucchetti (Org.). Virtudes. Rio de Janeiro/São Paulo: PUC-Rio/Loyola, 2001, p. 92-95.
PAULA, E. L. de; FIORAVANTE, H. ; GARCIA, F. Aliança do Deus Fiel com seu povo infiel. In: WRUBLEVSKI, Sérgio Mário (Editor). Repensar: Revista de Filosofia e Teologia. Nova Iguaçu: Revista do Instituto de Filosofia e Teologia Paulo VI, ano 06, n. 02, p. 82-86, dez. 2010.
VIDAL, Cônego F. As fontes da alegria com São Francisco de Sales. Tradução Pe. A. Macintyre. São Paulo: Loyola, 1978.
Elcione Leite de Paula.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário