sábado, 11 de agosto de 2012
Resenha de: "Duas vidas, uma escolha
BOLINI, Sumaia Cabrera Farhate. Duas vidas, uma escolha: dentro de você o “eu doente” e o “eu saudável” lutam o tempo todo pelo comando da sua história. São Paulo: Editora Academia de inteligência, 2007. 132p.
A obra foi organizada em dez capítulos pela pioneira a utilizar os princípios da inteligência multifocal no consultório, nas palestras em empresas e escolas. Dra. Sumaia é psicoterapeuta da equipe de seu cunhado Dr. Augusto Cury.
Bolini introduz a obra ao explicar o motivo da mesma: ampliar sua colaboração no consultório para a vida de leitores.
O primeiro capítulo identifica o Eu Doente, aquele entrave da personalidade que nos paralisa no passado. São os traumas, as “janelas killers” que teimam em abrir. Uma principal causa do retrocesso da nossa personalidade é “o orgulho que nos impede de assumirmos estar errados e justifica nossos maus comportamentos”, manifestados nos focos de tensão, independentes da vontade (BOLINI: 34). Sua solução seria para mim, o kairós, tempo de Deus, o que Bolini nomeia como ato de decisão. O tempo oportuno seria o agora, nunca amanhã.
Depois o assunto é sobre onde o Eu Doente atua. Eu vivo doente: gastrite, cólicas, enxaquecas, etc. O Eu Doente jamais reedita o filme do inconsciente, não abre novas janelas, interioriza todas asexperiências arquivadas pelo fenômeno do registro automático da memória. O que impede o DCD, técnica que leva a pessoa a tirar do pensamento negativo a credibilidade que a vida lhe deu (p. 40).
O capítulo seguinte afirma que “nossas conquistas só começam quando não existe mais negociação com o Eu Doente. É sempre não para todos os seus argumentos e vontades. Só mais uma “cheiradinha”: NÃO! (p. 53).
O quarto capítulo exemplifica algumas facetas do Eu Doente, dentre elas a timidez. A autora conta o esforço de seu querido pai, um imigrante árabe cheio de vigor aos 93 anos. Chegou ao Brasil há aproximadamente sessenta anos, fugido das guerras, e não falava uma palavra em português, mas o francês lhe era fluente. Comprou um dicionário francês-português e, todos os dias, comprava jornal, e com o dicionário traduzia-o e aprendia a língua (p. 61).
O Eu Doente vive da agressividade, seu mecanismo de defesa é o infantilismo, não amadurece (p. 67).
O capítulo seguinte questiona cada leitor no sentido de se sua família está no Eu Doente ou Saudável. “[...] dou mais valor para meu filho que tagarela sem parar até ‘me enlouquecer’ do que para o silêncio que eu queria ‘escutar’ naquele momento (Eu Saudável em ação. p. 80)”.
Outro assunto é o argumento da tese de que a falta de um objetivo de vida alimenta o Eu Doente (p. 95). A seguir, Bolini apresenta uma tabela para o leitor se identificar no Eu Doente ou no Eu Saudável.
O capítulo nove expõe as principais características das amizades do Eu Doente, amizades que aprisionam, atemorizam, iludem, têm espírito de urubu feito os noticiários sensacionalistas, idolatram a pimenta nos olhos alheios, por picardia (grifo nosso).
O último capítulo fala onde está Deus para o Eu Doente. Este se reflete na opinião de que “ou Deus não existe ou faz tudo errado!” (p. 119). As considerações finais se ancoram na hipótese aberta à escuta do Eu Saudável: “ninguém pode fazer isso no meu lugar (p. 126).
Elcione Leite de Paula.
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