terça-feira, 16 de abril de 2013

resenha sobre "Frei Caneca"

MOREL, Marco. Frei Caneca: entre Marília e a Pátria. Rio de Janeiro: FGV, 2000. 100 p. Col. “Os que fazem a história”. Coord. Francisco J. Calazans Falcon. Marco Morel é mestre em História do Brasil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, doutor em História pela Universidade de Paris I (Panthéon-Sorbonne), jornalista, pesquisador e professor do Departamento de História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A exclusiva obra relata a história do frade carmelita Joaquim do Amor Divino Rabelo Caneca, natural de Recife, conhecido por Frei Caneca. Mas esta história está inserida num contexto maior, de lutas travadas entre a Coroa portuguesa, representada por dom João VI e seus posteriores contra os liberais, também chamados de patriotas e ou rebeldes. Este contexto tem sua gênese mais pontual na vinda da Corte Portuguesa para o Brasil em 1808. O primeiro capítulo da obra trata da morte de Frei Caneca, da insegurança em torno do fato ocorrido e da ocultação do seu cadáver: “Mas foi em silêncio e medo que o corpo [...] do frade carmelita turonense, acabara de ser emparedado naquele alvorecer da nação brasileira” (p.17). Já o segundo capítulo compara os sete dias da criação (cf. Gênesis 1,1-2;4a) com os sete aspectos que marcaram a vida de Caneca. O quarto dia é significativo no que diz respeito ao significado de seu nome. “E ao tomar o hábito de noviço no Convento do Carmo de Recife, em 8 de outubro de 1796” (p.23), assume em seu nome o ofício do pai, fabricante de canecas e outros utensílios. No terceiro capítulo, em meio às revoluções, se tem o contexto da revolução de Pernambuco, em 1817, descrita por um dos presos, Monsenhor Francisco Muniz Tavares. “Frei Caneca fora preso em 1º de junho de 1817 e chegaria na Bahia dia 19, portanto, 18 dias acorrentado” (p. 50). Só será libertado em 10 de fevereiro de 1821. Sua prisão fora por causa das calúnias de dois colegas freis. Por motivos de vingança o acusaram perante os portugueses de “ter participado de treinamento de guerrilha, marchado junto com as tropas rebeldes que iam em direção ao Norte, de ser amigo do padre João Ribeiro e de ter ativa participação no movimento republicano” (p.47). O carmelita se defende nas duas petições em que ele dirige, uma a dom João VI e outra a Frei Inocêncio. Esclarece ser um homem de vida religiosa, manso e recolhido num mosteiro, onde praticava seus cargos eclesiásticos e seu ofício de professor (p. 47). “Até então, entre Marília e a pátria — entre o amor individual e a paixão coletiva —, a opção de Frei Caneca pendia para a primeira [...] A brutalidade da prisão iria enviá-lo para outras dimensões” (p.49). O quarto capítulo expressa a chegada da embarcação inglesa ao Recife, tendo como expoente a inglesinha de olhos azuis, Maria Graham (p. 55). Tal embarcação chega no momento em que as mudanças estão fervilhando, como exemplo disso é “o Antigo Regime absolutista que decompunha-se, tendo como cenário o espaço urbano (centro de comércio mercantil e também cultural e ao mesmo tempo periférico em relação ao poder central), onde novas formas de sociabilidade e de participação política vinham à luz” (p. 56). O próprio Frei Caneca, após sua libertação do cárcere, transformou o olhar sobre a sociedade. O quinto capítulo é sobre “a competição entre o poder do imperador e diferentes forças situadas nas províncias, disputa política atravessada por tensões sociais, étnicas e econômicas” (p. 72). O último capítulo se concentra na prisão, condenação e morte do Frei. Naquele “momento histórico de transição do Antigo Regime para o liberalismo constitucional, que surge a possibilidade de o condenado, ainda que levado à morte, apropriar-se do espetáculo final e de sua memória” (p.90). A importância da obra está em nos situarmos com veemência no contexto que compreende os anos de 1817 e 1825, anos da prisão e morte de Frei Caneca, período do Brasil-colônia, lutando para se tornar independente de Portugal. Embora o autor retroceda ou avance estes anos citados acima, o faz com o intuito de introduzir a época mencionada e para demonstrar a repercussão que o carmelita vai tomar ao longo da história. _____________________________________ Elcione Leite de Paula

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