quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Fé e Luz: movimento de inspiração ecumênica constituído por pessoas com necessidades especiais

Uma Comunidade de Encontro, uma Esperança: sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5,13). “... Quando deres uma festa, chama pobres, estropiados, coxos, cegos; feliz serás, então, porque eles não têm com que retribuir. Serás, porém, recompensado na ressurreição dos justos” [(cf. Lc 14,13-14) Tradução Bíblia de Jerusalém]. 1 INTRODUÇÃO Conforme a fundadora da Comunidade Fé e Luz, Marie-Hélène Mathieu, na segunda-feira da Páscoa de 1971 uma peregrinação a Lourdes chega ao fim e o Movimento de inspiração ecumênica e cristã “Fé e Luz” nasce. A peregrinação foi a resposta ao apelo de um casal, pais de duas crianças com deficiência intelectual. Com frequência, após terem vivido situações angustiantes, os peregrinos tiveram em Lourdes uma experiência de alegria e comunhão profunda. Ao retornar a seus países, seguiram se reunindo regularmente em pequenas comunidades, em encontros de amizade, oração e festa. 2 UM BREVE HISTÓRICO Segundo Jean Vanier, fundador da Arca, a semente do Fé e Luz, depositada no coração dos peregrinos em Lourdes, desenvolveu-se em 1600 comunidades de diferentes tradições cristãs (anglicana; presbiteriana; luterana; comunidades ortodoxas na Rússia, no Oriente Médio, na Romênia, Grécia, em Chipre; outras são interconfessionais), enraizadas em paróquias ou nas igrejas locais, crescem em 85 países. No Brasil, as primeiras comunidades começaram em 1977, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Hoje são em torno de 90 comunidades, cobrindo 10 estados. 3 OBJETIVO O objetivo central visa integrar os irmãos com necessidades especiais na comunidade de fé local. O ponto de partida para cada reflexão sobre a deficiência está enraizado nas persuasões fundamentais da antropologia cristã: a pessoa deficiente, também quando está ferida na mente ou nas suas capacidades sensitivas e intelectivas, é um sujeito plenamente humano, com os direitos sagrados e inalienáveis próprios de cada criatura humana. Com efeito, o ser humano independentemente das condições em que se desenrola a sua vida e das capacidades que pode expressar, possui uma dignidade única e um valor singular desde o princípio da sua existência até ao momento da morte natural. A pessoa deficiente, com todos os limites e sofrimentos pelos quais está marcado, obriga-nos a interrogar-nos, com respeito e sabedoria, acerca do mistério do homem. De fato, quanto mais nos movemos nas áreas obscuras e desconhecidas da realidade humana, tanto mais se compreende que precisamente nas situações mais difíceis e preocupantes emerge a dignidade e a grandeza do ser humano. A humanidade ferida e deficiente desafia-nos a reconhecer, acolher e promover em cada um destes nossos irmãos e irmãs o valor incomparável do ser humano criado por Deus para ser filho no Filho (JOÂO PAULO II, 5 jan. 2004. §2). Sua vocação específica é constituída por cerca de 30 membros: pessoas com deficiência mental, seus pais, seus irmãos (ãs) e amigos. As comunidades Fé e Luz reúnem-se pelo menos uma vez por mês, para um encontro de amizade e partilha, de festa, de celebração e oração; há férias comunitárias, retiros, peregrinações. Uma comunidade é um lugar de pertença, para sair da solidão. Fé e Luz é também uma comunidade de fé, de celebrar a vida, falar de Jesus e do Evangelho, rezar, partilhar sofrimentos e esperanças. A festa tem, também, um lugar importante, uma vez que as pessoas especiais nos conduzem à comunhão dos corações quando estamos com elas. 3.1 O EMBLEMA Muita gente pergunta sobre a origem do emblema de Fé e Luz: “este barquinho iluminado pelo sol, que começa a sair das nuvens”. Meb, um pintor com Síndrome de Down, compôs esta obra por ocasião da primeira peregrinação a Lourdes. Nós lhe havíamos dito unicamente: “Você pode desenhar Fé e Luz?”. Ele pediu a sua mãe que lhe lesse o estatuto da peregrinação. Depois iniciou a trabalhar. Intuitivamente, porque ele não sabia contar, colocou no esboço os doze apóstolos. “Jesus, disse Meb, dorme no fundo do barco. Mas nós não devemos ter medo porque seu coração está atento”. Uma legenda acompanhava o desenho: “As nuvens se abrem e tua Luz, Senhor, vem até nós”. Fé e Luz reproduziu a barca e esqueceu de falar de seu autor. É uma injustiça que desejamos reparar. Assim, de agora em diante, cuidaremos e pediremos a todos que cuidem também de colocar o nome de Meb no desenho. Procuremos também ser fiéis ao original, em particular aos doze apóstolos (retirado do Roteiro de Encontros / 1997). 4 ATIVIDADES Confraternização mensal, partilha da palavra de Deus orientada por um roteiro do Movimento; orientação espiritual de um padre ou pastor, viagem anual, quando possível. 4.1 CRONOGRAMA Almoço de Natal, celebração da Páscoa com as comunidades Fé e Luz da cidade, festa junina, encontro de formação, orientado pelo (a) coordenador (a) do Movimento, ou melhor, da família Fé e Luz. 5 CONCLUSÃO Quando já não nos sentimos sós, a vida é transformada. Assim, de acordo com Vanier, pessoas de Igrejas diferentes estão unidas por uma mesma espiritualidade evangélica: “Deus escolheu o que há de louco e fraco no mundo para confundir os sábios e os fortes” (cf. 1Cor 1,27). A pessoa com uma deficiência mental, pela sua simplicidade revela o mistério do coração de Deus, que se fez pequenino para nos revelar o Amor. Cada pessoa, por mais frágil que seja, tem um coração capaz de amar, de acolher Jesus. Porventura, não é isto o essencial para cada um de nós? REFERÊNCIAS MATHIEU, Marie-Hélène. VANIER, Jean. Plus jamais seuls!: l’aventure de foi et lumière. Editora Presses de la Renaissance (3 de nov. de 2011). ASIN: B006GD9WEU. 358 p. Acesso em: http://www.amazon.com/jamais-seuls-French-Edition-ebook/dp/B006GD9WEU CONGRESSO INTERNACIONAL “DIGNIDADE E DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA MENTAL”. Alocução de João Paulo II, PAPA. Vaticano, 5 de janeiro de 2004. Acesso em: http://www.feeluz.org. Acesso em: 14 nov. 2012. Vídeo: Fé e Luz, a eficiência do amor, produção Verbo Filmes. Elcione Leite de Paula.

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