terça-feira, 6 de novembro de 2012

Planejamento pastoral

APRESENTAÇÃO Os conselhos de Jetro: Jetro, sogro de Moisés, “ouviu falar de tudo quanto Deus tinha feito em favor de Moisés e de Israel, seu povo, quando o Senhor fizera Israel sair do Egito” (Ex 18,1). Foi, então, visitar Moisés no deserto, “onde estava acampado no monte de Deus” (v. 5). Jetro alegrou-se ao ouvir Moisés falar sobre o que o Senhor fizera ao faraó e aos egípcios por causa de Israel, sobre as dificuldades que o Povo de Deus enfrentara e como fora salvo. Por tudo isso, louvou o Senhor e lhe ofereceu holocaustos. Um dia, porém, acompanhou de perto os trabalhos de Moisés. Viu que ele sentou-se para julgar as questões do povo, o qual ficou diante de Moisés o dia inteiro. Então, não se conteve, e disse a seu genro: “Que estás fazendo com o povo? Por que apenas tu ficas aí sentado, com tanta gente parada diante de ti desde a manhã até à tarde?” Moisés respondeu ao sogro: “É que o povo vem a mim para consultar a Deus. Quando têm alguma questão, vêm a mim para que eu decida e lhes comunique os decretos e as leis de Deus”. Mas o sogro de Moisés disse-lhe: “Não está bem o que fazes. Acabarás esgotado, tu e este povo que está contigo. É uma tarefa acima de tuas forças. Não poderás executá-la sozinho. Agora, escuta-me: vou dar-te um conselho, e que Deus esteja contigo. Tu deves representar o povo diante de Deus e levar até ele os problemas. Esclarece o povo a respeito dos decretos e das leis, e dá-lhe a conhecer o caminho a seguir e o que deve fazer. Mas procura entre todo o povo homens de valor, que temem a Deus, dignos de confiança e inimigos do suborno, e estabelece-os como chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez. Eles julgarão o povo em casos cotidianos. A ti levarão as questões de importância maior, decidindo eles mesmos as menores. Assim eles repartirão contigo o peso e tu ficarás aliviado. Se assim procederes, serás capaz de manter-te de pé quando Deus te der ordens, e o povo poderá chegar em segurança a seu destino” (Ex 18,14b-23). 1- Avaliação da realidade (social e eclesial: VER): “A Igreja é por natureza, missionária” (Beato João Paulo II). Caso a Igreja Particular faça a opção por ser missionária, opção preferencial pelos pobres, conseguirá prestar uma grande contribuição na construção do Reino, numa sociedade pluricultural. Há necessidade de o pároco assumir atividades extras em benefício próprio? Levando em consideração o tempo dedicado a estas funções como preparação e carga horária das mesmas, sabemos que a semana tem sete dias e cada dia com apenas vinte e quatro horas. Um bom descanso, uma alimentação equilibrada e até mesmo o lazer são primordiais a fim de se obter um bom humor a fim de exercer a função pastoral. No intuito de se evitar o desgaste desnecessário, seria mais apropriado que as atividades extras fossem exercidas pelo coadjutor, uma vez que o pároco pode deixar tempo livre para os imprevistos e sua dedicação ao pastoreio implica disponibilidade integral. A quem convidar para o planejamento pastoral paroquial? O maior número possível de agentes: CPP, ministros extraordinários, catequistas, movimentos, irmandades,agentes da área da saúde, da educação, animadores de grupos de reflexão, serviços, organismos, pessoas que criam a opinião pública, representantes da sociedade civil, congregações religiosas (quando houver)... A respeito das pessoas que desejamos atingir: quais suas necessidades, preocupações, angústias, alegrias, ideais, valores, cultura...? 2- Prioridades: A prioridade principal é a de que o padre a imagem do bom pastor na vida de seus filhos espirituais. A ausência do pai que cumpre com o seu papel de orientar seus filhos espiritualmente acarreta um grande desserviço à Messe. O pai deve conhecer seus filhos e filhas pelo nome. Para isso, precisa andar a pé e sem pressa pela paróquia, visitar as pessoas, atendê-las na medida do possível, gastar tempo com elas, ouvi-las, dialogar com elas, visitar os enfermos. Tais atitudes simples, práticas estão em extinção. São essenciais para o conhecimento da realidade (econômica, política, social, cultural, religiosa) em questão. A Missa Dominical na Matriz, em especial, é fundamental, além de formação pastoral conforme a disponibilidade da maioria dos agentes de pastoral, considerando as estratégias para se alcançar os objetivos almejados. A parábola do camponês nos ensina que o planejamento não é mágico, mas é um processo de crescimento. Entender que no planejamento participativo o poder é serviço, é circular e tem o perfil do grupo. Descentralizar a ação. Confiar na criatividade de todos: O “novo” aparece de baixo para cima. Muita novidade é sufocada, porque sempre aparece alguém dizendo que “não é assim que se faz”. 3- Justificativa: A formação pastoral e o encontro semanal na Missa deve apontar e animar nos jovens e demais leigos a oportunidade de uma maior união nos trabalhos da comunidade e na missão da Igreja na transformação da sociedade com o testemunho de seus membros, “filhos da luz” (cf. Jo 1,1-18). “O que ama o seu irmão, permanece na luz...(1Jo 2,10). 4- Objetivo geral (ILUMINAR): Para quê? O objetivo geral da Comunidade requer o quê? O foco no querigma dos apóstolos, da comunidade primitiva, do primeiro anúncio nosso também: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-s em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo...” (Mt 28,19). O objetivo visa cultivar nos agentes o contínuo processo de evangelização e catequese, a curto, médio e longo prazo. Não se pode esquecer “o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2,7.11.17.29; 3,6.13.22), aos fiéis de sete igrejas da Ásia Menor. Faz-lhes elogios, mas também advertências e reprovações. Faz-lhes promessas e garante-lhes sua assistência permanente, convidando-os a continuarem unidos no amor e na fidelidade. Contar, se possível, com a ajuda de algum assessor (pastoralista, teólogo, etc.), para iluminar a realidade com a luz da Palavra de Deus. Um retiro espiritual pode ser muito útil nesse ponto da caminhada. 5- Objetivos específicos (atividades, recursos humanos e materiais, período, avaliação: propostas de AÇÃO): Uma boa catequese com salas apropriadas para cada faixa etária; diálogo ecumênico, interreligioso e respeitoso com as pessoas; homilias e testemunho transparentes; parcerias; trabalhos voluntários dos fiéis, principalmente conforme suas áreas profissionais nas principais pastorais sociais; trabalhos sociais com a percentagem do dízimo para devidos fins; incentivar a criação de grupos de reflexão (para cultivar nos agentes de pastoral o senso de pertença à comunidade e compromisso com a mesma). A cada ano, os agentes de pastoral se reunirão com o (s) padre (s) para uma avaliação e planejamento participativo do ano seguinte. Anexo a este encontro, revisar prioridades do orçamento financeiro para o próximo período. Quatro virtudes deverão ser buscadas para nossa ação pastoral: unidade, criatividade, visibilidade e objetividade. Unidade, porque, sem ela, em vez agentes do Reino, estaremos compactuando com o reino da divisão e da maldade. Disse Jesus: “Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35). Criatividade, porque somos chamados a continuar não uma obra qualquer, mas a do próprio Jesus, que disse: “Quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas” (Jo 14,12). Visibilidade, porque se não falarmos do que fazemos, acabarão dizendo que nada fazemos. Disse Jesus: “Se eles se calarem, as pedras gritarão” (Lc 19,40). E ainda: “O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados” (Mt 10,27). Objetividade, porque a ação pastoral trabalha com prioridades e não com escolhas confusas; porque as propostas da ação pastoral devem ser claras. Disse Jesus: “Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O que passa disso vem do Maligno” (Mt 5,37). 6- Avaliação geral: Localizar os problemas que ocorreram no desenvolvimento da ação (atividades). Fazer o confronto do resultado com o que foi planejado numa assembleia paroquial, por exemplo. Descobrir as causas dos desvios e encontrar alternativas que orientem a ação futura (uma ação dialogal, aberta a críticas e sugestões). “Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais” (Jo 13,15). Identificar problemas e acertos durante a execução da programação; Confrontar constantemente os resultados com o Objetivo, com as prioridades, os programas e os projetos assumidos: Quanto conseguimos? Fomos eficientes? Qual foi a qualidade do trabalho? Fizemos bem, ou apenas fizemos? Os resultados foram válidos? Construíram algo? Como se sentem as pessoas? Produziram-se bons relacionamentos? Procurar descobrir as causas dos erros, para acertar da próxima vez; Estar pronto para efetuar adaptações, correções, ajustes a qualquer hora; Dispor-se a aceitar sugestões e críticas, e fazer delas trampolim para uma ação mais eficaz; Criar formas diversas para que a avaliação se faça de forma espontânea e para que se concretize a eventual necessidade de correção; Abrir espaços para avaliação junto ao povo (pequenos questionários a serem preenchidos após as missas, ou na secretaria); Propiciar momentos, nas reuniões ordinárias do CPP, para avaliar os programas e projetos; Contar com 2 ou 3 pessoas que tenham a tarefa específica de chamar a atenção de todos sobre a caminhada, através de comentários pessoais, observações que tenham coletado da comunidade, críticas ouvidas no meio do povo, memorizações do processo; Montar celebrações da penitência tendo o Objetivo geral como referencial para o exame de consciência. Montar celebrações de ação de graças; Destacar, nas missas e celebrações da comunidade, os passos bem sucedidos; Agendar, para um semestre antes do prazo final de execução, uma assembléia para: avaliação geral do planejamento e proposição de um novo processo/etapa de planejamento; Importante é manter o espírito e a prática de planejamento; Celebrar a avaliação, com ato penitencial, tendo em conta a realização do Plano, do Objetivo geral e das prioridades. REFERÊNCIA http://www.cleris.org/clerus/dati/2007-11/24-13/PLANEJAMENTO.html Acesso 4/6/2012. Elcione Leite de Paula.

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